MÚSICA

[Música] História do Rock: Slayer

O História do Rock está de volta para mais uma semana de Halloween do IéL e acredito que muitos de meus amados fãs já perceberam que estou usando este mês para escrever sobre as famosas bandas de metal que muitos tem medinho de ouvir. Continuando nessa temática sombria do rock hoje temos uma banda bastante conhecida pelo seu som pesado e com temas malignos (muahahahahaha. Pra quem não sabe essa é a minha risada diabólica). O História do Rock traz hoje para vocês a banda Slayer.

 

As raízes do Slayer surgiram no distante ano de 1981 em Los Angeles, quando o guitarrista Kerry King cansou de passar por várias bandas sem futuro e decidiu formar a sua própria banda, junto com o guitarrista Jeff Hanneman que ele havia conhecido a pouco tempo. Kerry conhecia um baixista chamado Tom Araya que já havia tocado com ele em outras bandas anteriormente e decidiu convidá-lo para sua nova banda. O último a entrar na banda foi o baterista Dave Lombardo, também convocado por King que o conhecia da pizzaria onde Dave trabalhava (alguém tinha que trabalhar nesse mundo né).
Fato interessante: Essa eu descobri fazendo o post: Tom Araya não é americano, na verdade Tom é chileno e só se mudou com sua família para os EUA aos cinco anos de idade.

Inicialmente a banda não tinha nome e tocava covers principalmente do Iron Maiden e Judas Priest, mas de forma mais rápido e/ou pesada do que as músicas originais. Eles se apresentavam em bares da região de Los Angeles (como sempre os famosos bares iniciando a fama de muitos).
Quase dois anos depois os quatro ainda continuavam se apresentando apenas em bares, clubes e festas (ninguém nunca me chama pra uma festa com música assim), até que em 1983 eles foram convidados a se apresentar em um clube de Los Angeles. Enquanto tocavam naquela fatídica noite eles foram vistos por Brian Slagel, presidente da recente gravadora Metal Blade. Ao final do show, Brian se apresentou e ofereceu a chance para o Slayer gravar uma música para ser incluída na sua coletânea “Metal Massacre III” (o Metallica lançou sua primeira música em 1981 no Metal Massacre I). A banda aceitou, assinou um contrato com a gravadora e gravou a música “Aggressive Perfector” que acabou sendo um dos grandes destaques do “Metal Massacre III”.
A banda então mais confiante, mas ainda sem dinheiro, decide conseguir algum dinheiro para financiar

seu primeiro álbum. O dinheiro vem basicamente de uma poupança que Tom tinha e a outra parte emprestada pelo pai de Kerry. Com isso eles conseguem começar a gravação de seu primeiro álbum que é finalizado em três semanas e lançado logo a seguir em dezembro de 1983. “Show No Mercy” é considerado o pai do Thrash Metal (junto com “Kill em’ All” do Metallica lançado em 1981) e é o álbum que mais aborda temas como satanismo e ocultismo em todos os álbuns do Slayer. As canções foram todas compostas por King e/ou Hanneman com destaque para a faixa de abertura do álbum “Evil Has No Boundaries”. O álbum trazia vocais gritados que chegavam a beirar o gutural em certos momentos, riffs rápidos de guitarra, solos ainda mais rápidos e uma bateria com pedal duplo em uma marcação alucinante. O resultado do álbum foi um bom sucesso para um álbum de estreia, vendendo cerca de 40 mil cópias pelo mundo, sendo a metade apenas nos EUA.

Fato interessante: Após o lançamento do primeiro álbum da banda, eles começaram sua primeira turnê pelos EUA e que teve todo o luxo do velho camaro de Tom Araya puxando um trailer onde eles ficavam entre os shows (vida de músico pobre é complicado nego).
Fato interessante²: Desde o primeiro álbum (e talvez até antes) a banda foi acusada de satanismo e etc e tal, o que se prova ser algo ridículo, já que o vocalista e baixista da banda Tom Araya é cristão assumido (sim, ele é um cara crente) e diz que quando King ou Hanneman fazem alguma música com referências ao demônio ele não quer incitar que as pessoas sigam o capeta, mas ele faz a música para irritar e assustar as pessoas (chupem seus religiosos fanáticos).

Em 1984 eles decidiram lançar o EP “Haunting the Chapel” que era mais obscuro e que contava com apenas três músicas, sendo a principal “Chemical Warfare” que é um dos grandes clássicos do Slayer sendo executada ao vivo nos shows até hoje.
Fato interessante: Nessa época Kerry King chegou a tocar na banda Megadeth (outra grande banda de Thrash Metal) fazendo cinco apresentações com a banda, mas depois acabou saindo para voltar a se dedicar ao Slayer o que acabou gerando uma famosa rixa entre as duas bandas (Dave Mustaine contra a rapa, inclusive Slayer).
Ainda em 1984 o Slayer lançou seu primeiro álbum ao vivo, “Live Undead”, gravado naquele mesmo ano na turnê que eles faziam junto com Venom e Exodus.

A banda então já ganhando um grande destaque na cena do metal, não só underground (aboveground, sei lá) voltou para estúdio em 1985 para gravar seu segundo álbum, agora financiado pela gravadora. O resultado foi lançado ainda em 1985 com o nome “Hell Awaits”. O álbum que obviamente pelo nome tem temas satânicos fez um bom sucesso, vendendo cerca de 100 mil álbuns mundo afora e dando uma maior visibilidade para o Slayer. O grande destaque do álbum está na intro dele, com uma recepção de “Join Us” (junte-se a nós) e pouco antes do começo da primeira música “Welcome Back” (bem vindo de volta).

Fato interessante: O segundo álbum do Slayer, além de ter boas vendas acabou sendo eleito por uma revista inglesa como o melhor álbum de 1985.
Após o sucesso do álbum o Slayer foi contatado por outras gravadoras maiores que quiseram assinar um contrato com a banda. O novo contrato da banda foi assinado com a Def Jam Records, que até então era uma gravadora de rap/hip hop. O produtor do álbum foi o famoso Ricky Rubin (que eu já citei aqui nessa bagaça várias vezes).
O novo álbum da banda teve uma “remodelagem” com a mudança das músicas longas e complexas,
sendo trocadas por músicas mais curtas e rápidas. Além disso os temas da banda mudaram também, saindo do satanismo e passando por religião, nazismo, insanidade, etc. O álbum foi lançado em 1985 sob o nome “Reign in Blood” que não foi incluído no calendário de lançamentos da empresa, tendo quase nenhuma divulgação e praticamente não tocando em nenhuma rádio o álbum surpreendeu pelas vendas chegando a ganhar um disco de ouro. O álbum também foi eleito naquele ano pela revista Kerrang! como o álbum mais rápido e pesado de todos os tempos (eu não acho ele tão pesado assim, principalmente comparado com os dois primeiros, mas enfim). Além disso, esse foi o primeiro álbum do Slayer a entrar na Billboard 200, ficando em 94º.
Fato interessante: A distribuidora “oficial” da Def Jam Records na época era a Columbia, mas esta se recusou a distribuir o álbum “Reign in Blood” por ele ser muito pesado, o que levou a gravadora a distribuir o álbum através da Gefen, que também não achava muito apropriado o álbum, mas tinha menos fibra moral ou mais bom gosto.
Fato interessante: A banda também começou a ser acusada de apoiar o nazismo, devido às suas músicas que relatavam muitos episódios famosos da Segunda Guerra e seus horrores (as pessoas não tem a consciência de que falar sobre o assunto não significa que você o apoie).

Durante a turnê houve um pequeno desentendimento entre a banda e Dave Lombardo que achava que a banda não estava sendo apropriadamente paga. Dave saiu da banda e o Slayer continuou a turnê com Tony Scaglione em seu lugar, mas pouco tempo depois a esposa de Dave o convenceu a voltar para a banda porque era o melhor a ser feito. Com isso Dave Lombardo volta para o Slayer ainda naquela turnê (viu Yoko, a esposa tem que incentivar a banda a ficar junta e não separar os caras).

O quarto álbum da banda foi aquele que era amado ou rejeitado pelos fãs. Após o lançamento de “Reign in Blood” os fãs esperavam algo do mesmo calibre, rápido e pesado, mas a banda sabia que dificilmente iria conseguir produzir outra obra prima como aquela e decidiu fazer um álbum com o som mais cadenciado, mas sem perder o peso. “South of Heaven” foi lançado em 1988 e atingiu a 57ª posição na Billboard 200, além de ganhar o segundo disco de ouro da banda. Assim como o público as opiniões da crítica foram divididas.

Já no ano seguinte a banda decidiu voltar para estúdio para dar início as gravações do seu mais novo álbum. Lançado em 1990, “Seasons in the Abyss” o álbum misturava as músicas rápidas que os fãs tanto pediam ao estilo “Reign in Blood” e um som mais cadenciado em outras ao estilo “South of Heaven”, agradando aos fãs, alcançando a 40ª posição na Billboard e ganhando o primeiro disco de platina da banda. (“War Ensemble” e “Dead Skin Mask”, minhas duas músicas favoritas do Slayer estão nesse álbum e por isso esse é o melhor álbum da banda para mim. É um bom álbum para você ouvir se quiser conhecer o som da banda).
Em 1991 a banda decidiu lançar um álbum duplo gravado ao vivo em comemoração aos 10 anos de banda. O álbum foi batizado de “Decade of Aggression” contendo 21 clássicos da banda e chegando a 55ª na Billboard.
Em 1992 novamente ocorrem problemas da banda com Dave Lombardo que acaba saindo da banda novamente e forma sua própria banda “Grip Inc.”, enquanto o Slayer recruta o baterista Paul Bostaph para segurar as baquetas da banda (comentário de duplo sentido sem graça hein), fazendo sua estreia pela banda em 1993 no Monsters of Rock em Donnington.

O primeiro trabalho da banda com o novo baterista foi lançado em 1994 com o nome “Divine

Intervention” que teve a melhor estreia de um disco do Slayer ficando em 8º lugar na Billboard. O álbum trazia temas como o nazismo, serial killers, religião e governo. A banda saiu em turnê em 1995 e naquele mesmo ano tocou na nova edição do festival Monsters of Rock (pelo jeito, o festival favorito da banda).

Em 1996 a banda decidiu lançar um álbum de covers, “Undisputed Attitude”, que contava com uma faixa inédita do Slayer, “Gemini”, e duas outras de um projeto paralelo, Pap Smear, de Jeff junto com Kerry compostas em 1985. O álbum manteve a média dos álbuns da banda, ficando em 34º lugar da Billboard 200.

Logo após o lançamento do álbum o baterista Paul Bostaph deixou o Slayer para trabalhar em seu projeto paralelo e a banda teve que recrutar o seu substituto as pressas. O escolhido da vez foi John Dette da banda Testament, que fez sua estreia ao vivo com a banda no festival Ozzfest de 1996 (não foi o Monsters of Rock, não acredito). Entretanto pouco antes de completar um ano com a banda ele acabou sendo demitido por diferenças com os outros membros da banda, o que trouxe de volta Paul Bostaph para o Slayer.

Fato interessante: Em 1996 a banda foi processada pelos pais de uma garota chamada Elyse Pahler que havia sido sequestrada, violentada e assassinada por três garotos fãs da banda. De acordo com os três eles foram incentivados e “ensinados” a como fazer aquilo com a garota através das músicas do Slayer. O processo só foi terminado em 2001 quando o juiz julgou o caso improcedente por liberdade de expressão e falta de previsibilidade. A família tentou um segundo processo por danos morais, agora contra a banda e contra a gravadora, mas novamente o juiz julgou o caso improcedente e afirmou que a música do Slayer não era indecente ou prejudicial aos jovens (chupem quem fala que a culpa dessas coisas é das bandas de rock).

A banda voltou a estúdio em 1997 e lançou seu novo álbum em 1998. Intitulado “Diabolus in Musica”, considerado o álbum mais experimental da banda até hoje, mas sem perder todo o peso característico dos álbuns da banda, vendendo 46 mil cópias só na primeira semana, alcançando o 31º lugar nas paradas americanas. Logo após o lançamento do álbum a banda anunciou sua turnê mundial, começando pela Ozzfest no Reino Unido.

A banda demorou um pouco para lançar seu nono álbum, que também contou com atrasos imprevistos na hora da mixagem e edição final, mas finalmente foi lançado em 2001. “God Hates Us All” era uma volta da banda ao seu som pesado de origem, sem tantos experimentos como nos últimos álbuns. Pouco depois de iniciar a turnê, Paul machucou o cotovelo e teve que deixar a banda para cuidar da lesão, deixando um problema para o Slayer no meio da turnê que recorreu a Dave Lombardo para continuar a turnê para eles. Dave aceitou o convite e acabou voltando a ser membro efetivo do Slayer no final de 2001.

Fato interessante: O título “God Hates Us All” (Deus Odeia a Todos Nós) acabou sendo bastante

apropriado para a data de lançamento, já que coincidentemente o álbum foi lançado no dia 11 de setembro de 2001. Se você não é muito bom com datas, esse foi o dia do atentado ao World Trade Center nos EUA (estou impressionado que ninguém processou a banda alegando que eles tinham deixado Deus nervoso e por isso os EUA foram castigados. Sim isso foi sarcástico, caso você seja ruim em identificar sarcasmo).

Durante o ano de 2003 a banda estava tocando todo o álbum “Reign in Blood” nos seus shows, com uma turnê chamada “Still Reigning”, tendo a apresentação do Maine em 2004 gravada, quando a banda termina a música “Reign in Blood” e toma um banho de sangue falso no palco. O show foi lançado no DVD que leva o mesmo nome da turnê. E ainda em 2004 a banda lançou “War at the Warfield” (um homevideo) e “Soundtrack to the Apocalypse” que era um box com CD e DVD de músicas e apresentações raras da banda.

Fato interessante: Entre 2002 e 2004 a banda realizou mais de 250 shows pelo mundo em suas duas turnês.

O novo álbum da banda, muito aguardado por ser o primeiro com Lombardo desde 1990, estava planejado para junho de 2006, mas acabou sendo adiado e em seu lugar a banda decidiu dar um gostinho para os fãs com o EP “Eternal Pyre”, que trazia a música “Cult” e teve suas cinco mil cópias vendidas em poucas horas no mesmo dia.

Finalmente em agosto o novo álbum da banda veio, “Christ Illusion”, que logo na primeira semana entrou no 5º lugar da Billboard 200, tendo ganhado o Grammy daquele ano com a melhor performance de metal com a música “Eyes of the Insane” (essa música faz parte do filme “Jogos Mortais III”).

A turnê que se seguiu ao álbum (na verdade começou antes do lançamento do álbum) e foi acompanhada por bandas como Children of Bodom e Lamb of God (humildade total essa turnê hein).

Em 2009, o baixista e vocalista da banda, Tom Araya deu um susto nos fãs dizendo que o contrato da banda era de apenas mais um álbum e depois disso ele não sabia se o Slayer continuaria, já que ele não se imaginava com mais idade e continuando fazendo isso, e iria querer sossegar (faz isso não Araya).

Em 2 de novembro de 2009 a banda lançou seu 11º álbum de estúdio, “World Painted Blood”, que de

acordo com o próprio Tom, era uma mistura de tudo que o Slayer tinha feito até então, algo como o “Season in the Abyss”, de 1990. Com 41 mil cópias vendidas na primeira semana, o álbum alcançou a 12ª colocação na Billboard 200, tendo uma boa recepção dos fãs e da crítica “especializada”.

Em maio de 2010 a banda tocou na Bulgária junto com Metallica, Megadeth e Anthrax no concerto chamado de Big Four, reunindo as quatro maiores bandas de Thrash Metal. O Slayer tocou músicas clássicas e músicas do novo álbum também e fez bonito (como sempre).

Em 2011 o guitarrista Jeff Hanneman vai parar no hospital depois de ser picado no braço por uma aranha obrigando a banda a chamar o guitarrista do Exodus, Gary Holt para seu lugar provisoriamente (pô você não vai virar o Spider Man?). Jeff voltou para a banda um tempo depois dizendo-se recuperado (e sem os super poderes aparentemente).

O ano de 2013 tem sido dureza para o Slayer, primeiro com a saída de Dave Lombardo (pqp de novo?) por desentendimentos entre ele e o resto da banda sobre o dinheiro que eles recebiam (Lombardo acha que os empresários e a gravadora fica com uma parte muito grande do dinheiro e que a banda deveria receber mais por serem aqueles que mais trabalham).

Pouco mais de 2 meses depois, em 2 de maio vem a notícia de que Jeff Hanneman havia morrido devido a uma insuficiência hepática. Mesmo depois de recuperado da picada da aranha, Jeff ainda sofria com o necrosamento no local da picada da aranha (no braço dele), o que pode ter complicado ainda mais o problema com a segunda doença que o levou a óbito.

A banda decidiu continuar com seus shows pouco tempo depois em memória de Jeff, e chamou Gary Holt para a vaga de guitarrista, além de anunciar Paul Bostaph de volta para a bateria da banda, que se disse muito feliz por voltar a banda.


O Slayer foi um dos destaques do último Rock in Rio, tocando no último dia do evento no Brasil e sendo sem dúvida alguma um dos melhores shows do festival como um todo, tocando com muita energia ainda em cima do palco e mostrando como é que se faz um show de metal (eu só queria ter visto o show com o Lombardo que é muito melhor que o Bostaph, mas tá bom também).

E é isso, essa é a história dessa banda fenomenal que há tempos vem assustando criancinhas e os velhinhos com seu metal do mal, sua música pesada e que dá vontade de sair pulando e batendo cabeça no meio da rua. Esse é o Slayer, uma banda diabolicamente excelente (trocadilho horrível pra terminar um post).